CFM Logistics Quer Posicionar Moçambique Como Hub Logístico Regional Para Petróleo e Gás
• Empresa aposta em Nacala e Pemba e Palma como âncoras para serviços marítimos, transporte de LNG e soluções logísticas integradas, e convida empresas japonesas para parcerias técnicas e financeiras
Destaques
CFM Logistics foi criada pela estatal CFM para actuar na indústria do petróleo, gás e energia
Nacala e Pemba são os pontos de partida para operações marítimas e portuárias estratégicas
Japão é visto como parceiro-chave para navegação, gestão portuária e eficiência energética
Parcerias com empresas japonesas podem incluir construção de terminais, transporte de LNG e soluções de mobilidade verde
Governo de Moçambique atribuiu à CFM Logistics papel central na implementação da estratégia nacional de eficiência energética
A CFM Logistics, subsidiária da empresa pública Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), está a traçar uma rota ambiciosa para transformar Moçambique num centro logístico de referência para a indústria do petróleo e gás na África Austral. Em encontro com empresários japoneses, a empresa delineou planos concretos para expandir operações portuárias, desenvolver transporte marítimo de LNG e estabelecer parcerias estratégicas com o Japão.
Criada com o propósito de especializar-se na logística da indústria de petróleo e gás, a CFM Logistics opera actualmente nos portos de Pemba e Nacala, com planos de expansão para outras regiões do país. Segundo Helder Chambal, representante da empresa, a actuação actual inclui serviços marítimos, manuseamento portuário, serviços de logística e infra-estrutura, e visa posicionar Moçambique como actor relevante na cadeia logística da energia.
“O nosso objectivo é apoiar e suportar a indústria para que ela aconteça em Moçambique, com empresas nacionais robustas como a CFM Logistics a prestarem serviços competitivos”, afirmou Chambal.
Com infra-estruturas recentemente reabilitadas com apoio japonês, como o Porto de Nacala – que recebeu investimentos de cerca de 400 milhões de dólares – a empresa encontra-se em posição privilegiada para atrair tráfego marítimo, novas cargas e actividades industriais associadas.
“Queremos que o Porto de Nacala se torne um hub logístico regional, servindo não apenas Moçambique, mas também países do hinterland como o Maláui e a Zâmbia”, acrescentou.
Além do foco nos serviços offshore e transporte de LNG, a CFM Logistics planeia desenvolver terminais logísticos, áreas de armazenamento e operar linhas de cabotagem entre Nacala, Pemba e Afunji-Palma, zonas críticas para os megaprojectos de gás na Bacia do Rovuma.
Neste cenário, as empresas japonesas surgem como parceiras ideais. A experiência do Japão em navegação marítima, gestão portuária e transporte de energia é vista como complementar às necessidades e ambições da CFM Logistics.
“Temos a ambição de possuir uma frota própria de navios para transporte de LNG. O Japão, sendo destino do nosso gás e referência mundial no sector, é um parceiro natural para partilha de know-how e investimento conjunto”, defendeu Chambal.
A colaboração pode estender-se também à área ambiental e à eficiência energética, sectores nos quais o Japão possui larga experiência. Moçambique aprovou recentemente uma estratégia nacional de eficiência energética, e a CFM Logistics foi designada como entidade representante do Ministério dos Transportes e Comunicações na sua implementação.
“Estamos abertos a parcerias em projectos como autocarros eléctricos, comboios movidos a LNG, soluções para a mobilidade verde e melhor aproveitamento do gás como fonte limpa de energia”, concluiu.
A visão é clara: transformar a CFM Logistics numa referência nacional e regional em soluções logísticas integradas, aliando competitividade, sustentabilidade e conteúdo local. O apelo está feito – e o Japão é chamado a embarcar nesta jornada.